egodistonia
November 14, 2007
Um palo que ficou tão seco, tão seco, e era um dia de tempestade elétrica, as tias escondendo os espelhos da casa atrás de lençóis antigos, as criancinhas se empoleirando em cima da cama numa cabana de cobertores e gritando em uníssono esganiço cada vez que lá fora fazia brummm. Aí veio cair um raio bem em cima do palo, que estando seco seco não demorou a alimentar a fagulha que logo se transformou em caprichosa labareda. Aí já era.
O problema todo é que blogueiro que é blogueiro raramene se limita a ter um blogue, quando dois podem se dar bastante melhor com a pesada carga de ego sem que as rodinhas se espatifem pros lados. É até engraçado, essas discussões sobre ego, sobre arrogância, porque muitas palavras que leio por aí vão ao encontro das idéias que rondam as nuvens de conhecimento no meu cérebro, tal, mas nada a ver.
Fato é: deixamos aqui enterradas as cinzas de mais um bloguezinho, para refletir um pouco sobre a morte, o fim estúpido e inevitável, e não esqueçamos jamais que é para lá que todos nos dirigimos e que portanto toda coisa é apenas vaidade. A impressão que nos fica quando somos lembrados de que Ela existe por alguma ocorrência que nos venha a soltar com dedinhos infantis a fita do chapéu.
Quando você aprende a fazer os laços no cadarço, raramente, se puder evitar, vai pedir para que alguém os amarre para você. Você passa a ter sua própria amarração e seu próprio jeito de passar os dedos por cima ou por baixo, ou fazer duas ou uma lingüeta antes de dar o traço final, e você passa a confiar nos seus próprios laços, e achar que são os melhores laços de que você pode necessitar. Mas às vezes eles afrouxam e você se sente inseguro e vai depender da ajuda de alguém mais hábil para que possa confiar nos seus próprios laços de novo; é desse jeito até o fim. Isso tudo pode não fazer sentido pra vocês, mas certamente faz, então é bom terem colhões, senhores.
E sim, esta casa agora são cinzas. Agora moro acolá.
Na messível do podida, atualizem seus blogrolls, e ponham em dia suas assinaturas.
November 14, 2007 at 9:49 pm
sniff…
aoihaoiahoia
November 16, 2007 at 8:53 pm
Tenho acompanhado de longe suas escrituras sábio faraó, mas não tão longe pra dizer:
“má de novo home?!”
November 17, 2007 at 12:36 pm
só mudei de casa, mas o esprito permanece o meixmo.
June 12, 2008 at 7:48 pm
[...] 12, 2008 Aconteceu que aquilo feito à palo seco acabou à míngua aqui. Depois, veio um vento bater à porta de um certo arpeggi e a coisa recomeçou vulgarmente com isso [...]