Acabei de passar um dia agradável a jogar num campeonato de futebol com os colegas e professores do curso, fazer gols que os dediquei mentalmente à uma certa moça que tem inebriado meus pensamentos – ela de nada sabe, não fui ainda pulha para incomodá-la com minhas cousas -, a beber e comer com os amigos, um tanto distraído pela proximidade que se interpôs com a dita senhorita. Cheguei a casa, demorei-me no banho, e cá estou, ao som de 4, dos Hermanos, absorto em planos quiméricos para nós dois.

Notável

June 29, 2007

Acabei de dissipar de um só take uma caixa inteirinha de Bis. Sei bem que há senhoras que comem bem mais que isso como aperitivo antes de vir o Blanquette de Veau, mas para mim, dono de um perfil esbelto, simpático e levemente atraente – porque um homem, ao contrário das damas, não carece ser de todo atraente enquanto mantiver a boca cerrada – uma caixa inteirinha é um feito. Posto o quê, estou aberto aos elogios.

Ah sim, não imagino o que seja um Blanquette de Veau, mas vi na wikipedia e achei tão, mas tão bonito que até comeria um, de olhos fechados e tudo mais.

México, 2

June 28, 2007

Fosse um comentarista de futebol, falaria isto: havia um certo ser onipresente e invisível sentado a frente da trave do goleiro mexicano. Robinho até encarou-o com petulância de moleque, mas apesar de inspirado estava sozinho. Duas pontuações belíssimas: a primeira, de Castillo, uma pintura, assim como a segunda, de Morales, com bola parada. Primeiro tempo bem jogado por ambas as equipes, com México a frente, e um final de jogo, especialmente a partir dos 20 minutos últimos, bastante fraco, com um Brasil desonradamente entregue e um certo Castillo esnobemente perdendo dois gols feitos.

Colóquio

June 27, 2007

Certa vez, num ímpeto de grandioso altruísmo, escrevi algumas belas linhas sobre a questão do nacionalismo, de ser um patriota, essas bobagens todas. Como previ a princípio, assim que as publiquei, iniciaram a pular dezenas de janelinhas na tela do computador para as pessoas que me vinham agradecer por tão sublime gesto esse de levar a luz aos comuns, mostrar-lhes a simples e inegável verdade de que o nacionalismo é simplesmente atestado de uma ligeira desvantagem mental. Algumas garotas resolveram propor os mais ousados meios para se quitarem da dívida que comigo haviam contraído. Outros vinham às lágrimas, tocadas pelas nobilíssimas palavras a que dei forma. Tantos outros vieram (mas nenhum gaúcho) e há ainda hoje aqueles que ao me encontrar na rua não têm coragem de me dirigir o olhar, envergonhados por me terem questionado alguma vez na vida.

O que alguns deles não entenderam, no entanto, é que nacionalismo não necessariamente diz respeito ao país, porque, como se sabe, nação não é sinônimo de estado. Negaram amor ao verde e amarelo, abriram mão de entrar em discussão contra um estrangeiro, mas continuaram torcendo vivamente para times de futebol. Nos bares, discutindo; em frente à tevê, se descabelando; por um time de futebol. Ora, ter um time de futebol difere do nacionalismo apenas por permitir alguma escolha, mas se iguala em todo o resto. O fanatismo de discutir em nome de fulanos desconhecidos, a idéia de que se pertence a algo que nem existe, a propensão a atitudes trogloditas e tudo isso.

Claro que, como esses aí, um certo dia eu também tive a camisa de um time e assisti a um jogo com os olhos imparciais de um fanático, não, talvez um fanaticozinho. Mas aí eu completei 13 anos e esqueci disso tudo. Hoje, alguns amigos me olham intrigados, questionam, como pode não ter um time do coração, meu Deus? Não tenho, e entretanto sou aficionado pelo futebol. Porque não é preciso torcer por um time para se gostar de um esporte. Quando assisto a uma partida, e assisto apenas às que merecem, assisto pelo prazer de um bom jogo, não para ficar pulando feito um macaco ou comportar-me como se tivesse comido uma banana estragada quando um time perde.

Mas gosto imensamente do futebol, de praticá-lo especialmente. E o faço com apreciável desenvoltura, pois um homem deve ter essas habilidades para que possa comentar com as pessoas que se zangarão pela sua falta de modéstia, oh, tão arrogante. Além do quê, é uma das ótimas qualidades para se apresentar a uma senhorita. Mas jamais tive a deselegância de brigar por futebol. Pois se há algo de verdadeiro sobre isso é que as conversas sobre futebol são enlatadas e não exigem civilidade alguma.

Há uma ou duas coisas que todos sabem. Pelé sequer foi uma ameaça ao trono de Maradona, a Inglaterra hoje tem o melhor time do mundo, mais uma série de pequenos conhecimentos que chegam pelos ventos sobre os times nacionais, e pronto: pode-se dar horas de conversa repetitiva e enfadonha a qualquer torcedor tolo. Mais ou menos como as conversas que se tem com um amigo dorido pelo amor; sempre as mesmas falas, os mesmos conselhos que se dá aos apaixonados. As conversas sobre futebol, assim como o amor, andam em ciclos.

O esporte é apreciável pela beleza do esporte e apenas por isso. Pelas emoções, pela sensação de justiça que se tem ao torcer pelo mais fraco, pela satisfação de uma batalha vencida em campo, pela arte, pelo espetáculo. Assistir a uma partida de futebol deve ser algo como assistir a um concerto – um instante de contemplação pelo divino, donde se depreende que somente alguns poucos times, a grande parte no Velho Mundo, merecem hoje ser observados em campo. Menos ainda os que o merecem fora dele. E um homem inteligente deve saber disto. Porquanto, ao recitar a escalação, o banco de reservas e a diretoria de um clube de futebol, qualquer homem perde o intentado charme.

June 26, 2007

O post de hoje é um texto novo no about.

Silent Shout

June 23, 2007

Do terceiro disco do Knife, os suecos que, percebi, só poderei ir-me em paz depois que vê-los ao vivo.

Estarei no campo

June 21, 2007

Estou a colocar o segundo pé numa pequena crise por ocasião do fim de semestre – o primeiro já está lá desde que me lembro. Todo final de semestre na faculdade é assim, as pessoas começam a correr de um lado para o outro com um maço de papéis embaixo do braço e os cadarços do sapato desamarrados e se alguém lhes pára e os faz olhar para os cordões soltos recebe como resposta que não há tempo, há essa pilha de escritos para entregar e outra para começar.

Como Deus me fez um ser diferente desses meus colegas, meu problema é bem outro. Os trabalhos eu os domino, apesar de estar levemente chateado com certas coisas, como as notícias que tenho para escrever uma após a outra, esses amontoados de palavras enfadonhos que são as notícias, mas esse não é meu problema. Todo o meu drama consiste em que não consigo mais freqüentar as aulas. Inverti o dia pela noite, e eis que só consigo cerrar os olhos quando a madrugada já vai adentro. O despertar, de comum acordo, também resolve vir com elegante atraso. Ontem cheguei atrasado à aula por dormir demais. Aula à tarde.

No entanto, não tenho perdido muita coisa. O resultado que a experiência de duas faculdades reservou-me, abriu os olhos quanto ao que é importante e o que não é dentro de uma Universidade. Por exemplo, fazer os trabalhos de rotina como um aluno dedicado é perfeitamente dispensável. Comparecer nos dias de prova, não (a menos que você já tenha encontrado o professor num bar ou algo assim). Ser visto em sala de aula é dispensável. Angariar informantes dentro dela, não. E por aí vai.

Das aulas, o que de mais agradável tenho feito é andar com uma Nikon D200 a congelar fragmentos especialmente belos da realidade, no que estou ficando muito bom, a custa de ignorar as pequenas e cansativas pautas dadas pelo chefe. Do tempo restante, tenho dedicado o tempo às minhas áreas de interesse, como dormir.

Como tirar fotos não deve ser a única coisa de proveito numa faculdade, estou nessa pequena crise, achando que do meu tempo útil tenho aproveitado muito pouco. Coisa pouca, que só a menciono aqui porque we confess our little faults to persuade people that we have no large ones, como muito habilmente pontuou algum senhor cujo nome agora me escapa.

Para mudar um pouco os ares, tomo logo mais meu trem. Passarei uns dias em casa da família, sob o zelo materno a que um jovem tem irrestrito direito. Até mais ver.