Os botões do García

June 13, 2007

Estava aqui lendo a wikipedia, bem divertido ver o que as pessoas escrevem por lá. Fui ver o que estão falando sobre o García Márquez, que é um dos meus favoritos e tudo. E ai que me apareça um bobo falando que literatura latino-americana não presta, que Cem Anos é chato, que o velho é gaga etc. Acendo uma tocha, coloco uma cueca na cabeça e saio correndo atrás porque eu sou louco, me segura que eu sou louco.

Mas hein, está lá escrito assim:

Sua adolescência foi marcada por livros, em especial A Metamorfose, de Franz Kafka. Ao ler a primeira frase do livro, Quando certa manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranqüilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso, pensou então eu posso fazer isso com as personagens? Criar situações impossíveis?. Em 1947 muda-se para Bogotá para estudar Direito e Ciências Políticas na Universidade Nacional da Colômbia, mas abandonou antes da graduação. Em 1948 vai para Cartagena das Indias, Colômbia, e começa seu trabalho como jornalista.

Fiquei bem feliz até, ao ver o quanto os biografistas de hoje estão evoluídos. E mais ainda quando vi que eles escrevem pra wikipedia – conhecimento público, para toda a gente e essa coisa toda. Pois vejam que nesses dias modernos tem-se conhecimento até do exato pensamento que instituiu o realismo fantástico na obra do escritor. Foi assim: um dia ele começou a ler A Metamorfose e pensou com seus botões “raios, mas também posso fazer isso?” (Eu sei que ele não é português pra falar “raios”, mas fica mais legal assim, né?)

Depois dessa questão capciosa, veio 1947 e ele se mudou para Bogotá a fim de cursar Direito e Ciências Políticas. Na academia, folheou um tomo da Constituição e, empolgado, pensou “raios, mas também posso fazer isso?”. Foi aí que a Tia Noca, a dona da pensão onde García morava, viu brotar uma pequena tirania no seio de seu lar. O petulante do garoto começou a escrever inúmeras leis em pedaços de papel higiênico que colava na porta da geladeira. Diziam as regras que ele era, por direito, o novo Rei na casa da Tia Noca, e conferiam privilégios como chocolate quente na cama e uma massagem especial aos domingos.

Tia Noca que não era boba nem nada tratou logo de enxotá-lo, sem nem restituir-lhe as ceroulas, que ficaram na pensão apreendidas como forma de pagamento. O Rei deposto fugiu pra Cartagena e escolheu o Jornalismo para melhor poder denunciar a subversão da Tia Noca, mas ao abrir um jornal, pensou em voz alta “raios!”, e aí não pensou mais nada.

6 Responses to “Os botões do García”


  1. Deixando o Garcia um pouco de lado, nota-se que você andou lendo Salinger, rapaz.

  2. renmero Says:

    Dael, is is thou?

  3. Dael Says:

    Ed, já falei demais sobre influências. Agora preciso calar-me, um cavalheiro não se abre assim tão facilmente.

    Renmero, euzinho da silva.😉

  4. Ed Says:

    Um cavalheiro não fala sobre suas influências, em verdade. Um cavalheiro influencia.


  5. Cavalheiro o cacete. Um cavalheiro dá permissão e vida a personagens e a estórias. Gabo não era cavalheiro com os seus escritos. Se fosse, o coronel teria sido fuzilado e eu não teria me surpreendido um passo a mais com a obra. Gabo não queria isso. Ele deve conhecer meu ego.

  6. Dael Says:

    Ed, no que diz respeito a esta casa, você é, pois, um blogueiro muito cavalheiro.

    Rafael, eu até teria uma boa resposta, tenha certeza, se tivesse entendido o que você quis dizer.

    E estou começando a querer responder um por cada vez, muito deselegante replicar massivamente.


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