Estarei no campo

June 21, 2007

Estou a colocar o segundo pé numa pequena crise por ocasião do fim de semestre – o primeiro já está lá desde que me lembro. Todo final de semestre na faculdade é assim, as pessoas começam a correr de um lado para o outro com um maço de papéis embaixo do braço e os cadarços do sapato desamarrados e se alguém lhes pára e os faz olhar para os cordões soltos recebe como resposta que não há tempo, há essa pilha de escritos para entregar e outra para começar.

Como Deus me fez um ser diferente desses meus colegas, meu problema é bem outro. Os trabalhos eu os domino, apesar de estar levemente chateado com certas coisas, como as notícias que tenho para escrever uma após a outra, esses amontoados de palavras enfadonhos que são as notícias, mas esse não é meu problema. Todo o meu drama consiste em que não consigo mais freqüentar as aulas. Inverti o dia pela noite, e eis que só consigo cerrar os olhos quando a madrugada já vai adentro. O despertar, de comum acordo, também resolve vir com elegante atraso. Ontem cheguei atrasado à aula por dormir demais. Aula à tarde.

No entanto, não tenho perdido muita coisa. O resultado que a experiência de duas faculdades reservou-me, abriu os olhos quanto ao que é importante e o que não é dentro de uma Universidade. Por exemplo, fazer os trabalhos de rotina como um aluno dedicado é perfeitamente dispensável. Comparecer nos dias de prova, não (a menos que você já tenha encontrado o professor num bar ou algo assim). Ser visto em sala de aula é dispensável. Angariar informantes dentro dela, não. E por aí vai.

Das aulas, o que de mais agradável tenho feito é andar com uma Nikon D200 a congelar fragmentos especialmente belos da realidade, no que estou ficando muito bom, a custa de ignorar as pequenas e cansativas pautas dadas pelo chefe. Do tempo restante, tenho dedicado o tempo às minhas áreas de interesse, como dormir.

Como tirar fotos não deve ser a única coisa de proveito numa faculdade, estou nessa pequena crise, achando que do meu tempo útil tenho aproveitado muito pouco. Coisa pouca, que só a menciono aqui porque we confess our little faults to persuade people that we have no large ones, como muito habilmente pontuou algum senhor cujo nome agora me escapa.

Para mudar um pouco os ares, tomo logo mais meu trem. Passarei uns dias em casa da família, sob o zelo materno a que um jovem tem irrestrito direito. Até mais ver.

3 Responses to “Estarei no campo”

  1. renmero Says:

    Passo o maior tempo da minha faculdade dormindo também, e ô coisa boa. Os trabalhos pouco me irritam, até vendo os que sobram. Os professores que sabem pensar já me consideram um amigo e nem preciso de aulas. Só na faculdade fui aprender que não precisava entrar em uma para fazer o que faço.

  2. Fabiane Says:

    Já sei, você quer um abraço, né?😀

  3. Edward Bloom Says:

    Aulas à tarde é uma benção. Queria poder estudar de dia e ver garotas ao sol lendo do lado de um jardim. Mas eu só tenho acesso à vida universitária noturna, com aquelas más vibrações de um departamento de RH e grampeadores, etc. A vida é dura hahah.


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