Olá

August 14, 2007

Havia começado a escrever bem aqui nesta primeira linha ainda há pouco (mentira, mas é (sempre) interessante o que tenho a dizer, portanto continue) que só estou aqui para dizer que não estou morto e assim deixar menos felizes os que já saltitavam pela iminência do meu falecimento. Claro que recomecei o texto, deixando desde já o lugar comum, porque se um escritor está num ponto que já todos estiveram, ainda assim ele estará lá como nenhum outro jamais esteve, ou não se poderá chamar escritor. Pedir desculpas ao “meu par de leitores fiéis” também é muito bobo, e mesmo que ousasse por inanição do caráter a alimentar-me neste prato feito, estaria incorrendo em injustiça para com os fatos. Pelas abordagens que sofri neste meio tempo em que estive fora, em festas requintadas e paragens seletas que estive a freqüentar, acompanhado sempre por boa bebida a ajudar-me no intento de manter-me a trote constante, está evidente que os dois leitores já há muito cederam lugar a quatro e logo e a oito e assim por diante, numa progressão de natureza geométrica. No que se refere ao comum, é notável o fato de que tudo o que está às mãos das massas perde toda a graça de que dispunha quando do conhecimento de poucos. Para os assuntos polidos, a história vai por outra via; a popularização nunca é desordenada a medida que exige um refinamento dos sentidos. Lembrei-me até de um fato que sucedeu nesses referidos dias de ausência – e deles, tenho séculos de boas histórias das quais os deixarei inteirados ao longo dessas noites de agosto. Passou-se em minha pequena cidade, onde as pessoas ainda mantêm diversos hábitos típicos da não-civilzação (desses os pouparei). Estava com uns amigos a conversar quando passa um desses rapazes distribuindo folhetos. O papel dizia algo como CLAP YOUR HANDS, assim mesmo em maiúsculas, seguido de outras bandas, logicamente eclipsadas, e algumas outras informações. Num exercício mental, previ que impossivelmente se podia tratar de Clap Your Hands Say Yeah, mas não deveria ser a esperança a última que vai embora? Recorri logo ao rapaz que entregava os folhetos, perguntando-lhe com olhos incrédulos: “Clap Your Hands Say Yeah? AQUI? (falei assim mesmo em caixa alta)”. O garoto pareceu desentender esse uso das maiúsculas e respondeu com a cabeça que sim duas ou três ou quantas foram as vezes que repeti as perguntas antes de perder a decência. Seria belo porque eu poderia ver os senhores do CYHSY de perto, mas triste por ter de assisti-los em um ambiente que não julgasse apropriado. Como que lendo meus delírios o garoto indicou-me a outro senhor que disse ser o organizador do evento. Com a energia que cabia à situação interpelei ainda o organizador: “Clap Your Hands Say Yeah? AQUI?”, “Sim, garoto, Clap Your Hands”, “Say Yeah?”, “Say Yeah?!, “Sim, Say Yeah”, “Acho que não, o que sei é Clap Your Hands La La La”, “Clap Your Hands La La La?”, “Sim, Clap Your Hands La La La”, “Hmm, ok”, “Ok”. Clap Your Hands La La La, muito embora eu não saiba até agora o que seja, evidentemente não é Clap Your Hands Say Yeah. Lógico, jamais tive fé que a banda fosse tocar aqui, mesmo porque não tinha ouvido nem lido nada a respeito. Mas sabem como são as coisas da vida. Ou eu suponho que saibam. Uma das coisas que vim a descobrir é que o problema da maioria dos homens é que não sabem nada da vida. Passam reto pelos trevos e bifurcações e nisto consiste o caos do mundo: muitas linhas retas. Cá do meu lado, tenho me ocupado de, tranquilamente, viver a vida. Não há nada mais belo que ocupar-se dela própria.

2 Responses to “Olá”

  1. Ed Says:

    Clap your hands say yeah, Dael. Como vai? Findaram as férias?

    bon jour.


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