Ok

August 16, 2007

Achtung: Este texto é bastante prolixo e não tem um sentido aparente, como é comum que seja. Ocorre que quando fico muito tempo sem escrever, pareço com alguém, veja bem, não entendo muito dessas coisas, mas imagino que assim o seja então utilizo esse exemplo por julgar apropriado, enfim, pareço com alguém que tem prisão de ventre. A pessoa fica apertada, com a barriga empedrada, tudo aquilo lá dentro, e quando finalmente consegue um momento de paz no espírito, joga lá tudo que estava ansioso pra sair. Assim, escrevo tudo que está na mente em lampejos e, meu Deus, pra que tanta explicação? Tudo bem. Utilizo-me, por exemplo, como não se costuma ver por aqui, de uma citação de várias linhas, porque escutei essa música agora e me ocorreu que expunha exatamente o que eu sinto no momento.

I fell in love again
all things go, all things go
drove to Chicago
all things know, all things know
we sold our clothes to the state
I don’t mind, I don’t mind
I made a lot of mistakes
in my mind, in my mind

“Chicago”, Sufjan Stevens

Ok. Acho que voltei definitivamente do período das férias. As aulas, essas já começaram há duas semanas, mas eu ainda estava aí nessa suspensão de que dispõe a mente favorecida que não precisa levar à risca as cadeiras da Universidade. Hoje voltei, revi as pessoas, sentei à classe e assisti comportado ao processo de iluminação administrado aos alunos, esses seres sem luz. Pretendo voltar com alguma freqüência também a esta cadeira defrontada ao anteparo do monitor, donde redijo os textos desta casa. Não ouso atualizá-la enquanto não estiver confortável sobre esta cadeira, porque sou preciosista com os detalhes. Também porque o tempo que dedico a Internet é mais que suficiente este que passo aqui. Tenho muitas horas que dedicar aos meus livros, além do quê não acredito na Internet. Por isso, dos inúmeros contatos que se tentaram alinhar comigo e que foram acumulados no decorrer desses dias, não os responderei individualmente, mas tenho um recado algo genérico que componho como réplica a tudo que me endereçaram. Se segue: “A mãe vai bem. As férias estão demais. Comprei umas coisinhas pra casa. A gente tem que se falar. Eternamente seu, Dael”.

Sei que ontem eu estava nessa festa, sendo veterano de uns calouros babaquinhas (eu juro que tentei um eufemismo aqui, mas não conheço nenhum que represente a figura do babaca, tipo, um babaca assim) e é impressionante o quanto a esmagadora parte desses calouros é babaca, gente, babaca demais. Aí é certo mesmo que levem trote, para apanharem de chicotinhos e serem humilhados pela lei do mais forte para que vejam que “a vida não é bem assim, garoto que acabou de sair do cursinho” e mais certo ainda que os mais experientes possam fazer suas festas à custa disso. E aconteceu até de estar lá uma senhora de quem ando mui enamorado atualmente, mas nem tive coragem de abordá-la, porque sou assim respeitador, as bochechas se ruborizam em frente de uma senhora elegante, essas que, Deus, são tão raras hoje em dia. Onde está o charme das mulheres? O mundo agora é rap. Bom, não tive coragem de ir falar com ela, mesmo sabendo que no dia seguinte faria muito frio etc. e por isso estou me sentindo bastante tolo. Como assim, Dael, não vai criar juízo, rapaz? Não vai ser homem para fazê-la sua? Mas fico aqui me sentindo bastante bem e sábio por conseguir conter um amor tão belo em mim mesmo, sem nem ter de incomodá-la com os decorreres de uma relação e aí já não sei. Meu coração é uma coisa linda, é a verdade, e pouca gente sabe disso. O poeta será eternamente incompreendido. Tudo bem.

Voltando à festa, ocorreu um fato bastante interessante quando todos estavam altos e a noite já ía adentro. Faltou luz no bairro, ou na cidade toda, e de repente só se podia ver algo sob a luz da Lua e por vários minutos tudo teve de ser reconfigurado e as pessoas se abraçavam e talvez algumas tenham aproveitado ainda mais, mas ficou tão frio de repente e com o frio as coisas começaram a parecer solitárias, e percebi que a iluminação pública é uma das conquistas mais memoráveis do homem moderno.

Percebi, isto também, que sou completamente cego na Internet. É mesmo muito difícil achar algo realmente bom por aqui ou sou eu que não estou procurando direito? De qualquer forma, os links relacionados no blogroll são todos pequenas vilas nas quais sei que posso aportar sossegado e ter material interessante por longas horas. Como se vê, vislumbro num blog um perfil muito íntimo mas um perfil feito com muita sutileza, entremeado em meio a textos e fotos e citações. Sou blogueiro, mas também um bloguista. Acredito no movimento blog e ajo sempre como se fosse um garotinho sendo cooptado pelo ideário maravilhoso de um velho capitão, com pequenas estrelinhas brilhantes nos olhos. Estrelinhas, borboletinhas, todas essas coisas que a adornam e que fazem lembrar-ma a cada segundo, mas ah, cá estou eu falando dela de novo – em outros tempos, já estaria sob açoite.

Aí fiquei sabendo de uma campanha do Estadão contra os blogs. Na verdade, diz que informação de confiança mesmo você vai ler lá no jornal, não de um blogueiro, que a propaganda tem a falta de delicadeza suficiente para comparar a um macaco, mas é o mesmo que ir de encontro a evolução, porque os blogs são as evoluções dos jornais. E me consta que mais evoluídos ainda estejamos nos referindo ao Estadão.

Achei bastante estranho, mas, damn, não entro realmente nesses movimentos de “vamos defender alguma coisa” porque isso tudo já está tão banalizado e feio. Faço apenas minhas ponderações aqui, senil e tranquilamente, dando palavrinhas com o velho John. Concluí de uns tempos pra cá que entendo Sartre e compartilho de sua paz quando ele diz que nunca teve um dia de desespero em sua vida. Há tanta estupidez, mas há tanta beleza, há tanta vida, que a vulgarização jamais será um recurso eficiente. Há poucos minutos conversava por msn com um amigo através de desenhos como numa história em quadrinhos. Compúnhamos, como dois senhores que entendem da vida, a necessária e invisível arte da qual se faz o momento.

One Response to “Ok”


  1. Eu também vejo em blogs lugares de descanso para a mente, de algum prazer imediato. Que falo dos blogs que leio é evidente, pois há os outros. Bom você não tomar partido de lado nenhum; digo, bom você não defender os blogs nem atacar qualquer jornal. Bravata é atitude da esquerda, né? Além do que a ação do Estadão demonstra apenas uma coisa: exasperação. Eu tenho dó, mas só um pouquinho.


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