=]

August 22, 2007

Tenho um saco de coisas para contar, mas em nenhuma delas vocês iriam acreditar, de modo que me pouparei o trabalho. Fato é que redijo este texto da mesmíssima cadeira que citei uns posts atrás, posicionada no mesmíssimo cômodo que permite-me uma visão privilegiada de uma mata ainda intocada em plena metrópole. A mudança não aconteceu de acordo com o que se esperava, e isso foi dar-se depois que eu já a havia iniciado. Fiquei então por uns dias com meus trapinhos divididos entre uma casa e outra. Passei dias terríveis, uma vez que a primeira coisa que havia levado com um carinho especial foi minha caixa de livros. Foram longas as horas em que fiquei sem um Miller sequer para ler. Depreendeu-se que passei longas horas refletindo sobre mim mesmo, observando a vida escorrer em pequenas gotas brilhantes que batiam no vidro da janela. Entrementes, padeci, não lhes vou negar, de alguma angústia. Mas isso é passado e digo isso alinhando a gola da camisa. Vejam só que já voltou Joyce para que retomemos nossa milonga de outro dia. E se estou ouvindo agora os gritos lamentosos de Okkervil River é apenas por amor à tinta da melancolia. Raciocinava sobre a estética de uma conversa num desses instant messengers que se vê por essa vida, hoje em dia é tanta tecnologia que pfui até me espanto. Em como alguns dos usuários mantém discursos assim tão feios quanto suas fuças, não se importando nem mesmo com a fonte que utilizam para escrever suas balbúrdias. É esse um tema em que poderia me estender longamente, entretanto não representa o que queria falar. Falo neste momento das risadas, porque é nelas que se esconde o verdadeiro espírito. Se é na tristeza que se revela a condição do homem, é no sorriso que se esconde sua transgressão. Repare em alguém que se ri com rsrsrs, uma abreviação óbvia mas não lógica dos (risos), o único resquício de humor do jornalismo. Alguém que ri rsrsrs é alguém que dá sempre uma risada um pouco apavorada logo tentando-se conter para não chamar a atenção. Não são pessoas das quais se convém ficar perto e isso não por convenção, isso por resguardo mental. Por outro lado há os que riem kkkkkkk. Imagine uma pessoa sensata abrindo a boca uns 5 centímetros e movimentando as mandíbulas como um pacman a fim de permitir a sonorização de um kkkkkkkkk. Não dá. Não tem como imaginar alguém honrado fazendo isso. Há tanta maneira mais sensata de redigir uma risada, mas Há! Ho! Há! como faria o Allan Poe não parece uma delas. Tem um ou outro que usa o Ah! Ah!, o que eu sinceramente não consigo enxergar como uma risada tendendo sempre a imaginar que o personagem está sendo perfurado por repetidas facadas. Um hahaha costuma sair-se bastante bem. Um haha também. Um hehehe jamais. Ao ver um hehehe pense num daqueles bonecos da revista Mad pronunciando um hehehe escarnioso e aí você vai ser um lixo sendo rebaixado por um personagem monstruoso e então toda a sua família vai lhe repelir como a Gregor Samsa. O hihihi é conveniente e hilário se for usado nas horas certas e ainda assim com muita parcimônia. A classe do hohoho ainda não recebeu significativo estudo de minha parte, mas huhuhu é ok. Há bastantes variações mas devem ser usadas com cuidado.

2 Responses to “=]”


  1. Henry Miller? Frank Miller?

  2. Dael Says:

    Cualquiera, Ed; qual queira.


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