pearls

September 2, 2007

Tem umas horas que dá vontade de destruir algo que seja belo, e a vontade vem das profundezas com tanto vigor que acaba por constituir-se irrefreável; a sede saciada terminaria por culminar num prazer tão selvagem que seria como se a seiva de toda a Terra estivesse subindo por seus pés resultando num vagalhão retumbante por suas mãos, que então já não seriam suas, mas as mãos da própria Natureza destruindo algo belo, algo verdadeiramente belo, que no momento compreenderia que neste mundo cruel sua vida só poderia ter algum significado frente à efemeridade de sua existência. Ao cabo da contenda haveria algum Tyler Durden experientemente calado, escorado numa coluna a mirar o nada e a inquirir-lhe como sem esperar pela resposta: andou viajando? O ar, de uma densidade negra, se encarregaria do resto; daquilo que ninguém ia querer escutar, a crua realidade de que somos máquinas de destruição, mas que a única destruição de que poderemos ter algum orgulho será a de nós mesmos.

 

2 Responses to “pearls”

  1. Ed Says:

    gosto muito desse filme.

  2. Gabriel Says:

    Álvaro de Campos, todo, é de cabeceira.


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