post novo

September 21, 2007

Ah, é verdade, tenho escrito pouco (e aos poucos), porque tenho me sentido a little space out, essas coisas. Outro dia até joguei uma laranja fora e comi a casca (mentira). O fato é que não dou mais bola para os estudos nem para ninguém mais e prefiro ficar em casa lendo, ou assistindo a um filminho, sentadinho no meu canto ali que ficou tão aconchegante e quentinho nesta nova residência, precisam ver. Outro dia lia Madame Bovary, agora leio Lolita e logo estarei a ler Ana Karenina, que agora só leio livros com nomes de mulheres (mas quando dou o suspiro de cansaço dizendo “chega, mulher! Por Deus!”, há aqui uns volumes que degusto aos poucos. Há esse sobre as contraculturas, esse outro de um físico que ainda tem fé na humanidade, o que apesar de contrariar minhas idéias, é bastante agradável de ler, só pela sensação de conhecer o ideário do meu antagônico –, e finalmente um daquele de quem “a vida não pode narrar-se pois que não há nela mais de que narrar. Seus poemas são o que houve nele de vida. Em tudo o mais não houve incidentes, nem há história”, isto é, Alberto Caeiro e por aí vai). Mas não hei de falar das minhas leituras quando isso só diz respeito a mim.

Vai indo desde que acordei um dia fechado, o firmamento se encrispando com tons de cinza e branco, dando vida a formas diversas, como se o céu fosse o próprio mundo se diluindo nos vales da morte. E é exatamente por isso que decido escrever-lhes mesmo que para publicar amanhã ou depois, em algum computador com Internet, que estou em regime fechado agora*. Escrevo-lhes mesmo que minha vida, a que se vai voluptuosamente alongando no decorrer destes dias, possa não interessar. É que temos essa necessidade de saber como vão as horas do outro, de conhecer uma outra interpretação dos momentos, especialmente quando os nossos estão indo não muito bem, andam pouco prospectos, pouco interessantes em face da reação que a rotina causa no gênero (não é bem meu caso, minha vida vai indo pelo alvorecer, ao lado de um otimismo displicente que, mesmo à luz dos fatos, a juventude permite ter, mas ponham-se à vontade para registrar seus pedaços coloridos de existência na caixa de comentários; aposto que todos irão ler agradecidos com a mão no peito assim). (Mas em boa e polida linguagem, sim?).

Pois então. Estou sem Internet e tal, aí às vezes fico com vontade, geralmente à tarde, de sentar ao computador e ficar olhando com cara de babão para a tela do google, me perguntando sobre que caminho de boas horas de distração barata ele há de me levar. Digo, isso é quase melhor que conversar com 87,4% das pessoas que estão aí na rua (“quase”, para não comprometer-me devido a sobrançaria). Mas estava pensando nisso. Dá-se que tenho dormido mais, e isso está reforçando essa fama de que só durmo. Decorre que mesmo dormindo estou a evoluir muito mais do que trocentos desses aí fora. Estando com as pálpebras cerradas, servindo-me de anteparo para o Mundo dos Sonhos, ganho mais experiência de vida que muitos dessa laia que a maior parte do tempo só fazem emburrescer-se ainda mais. Durmo. Durmo porque na maior parte do tempo isso é mais proveitoso que freqüentar as aulas da faculdade. E ai que meus pais não escutem isso, que é para continuarem mandando as verbas que mantém seu Eugène nos estudos, formando-se um doutor.

Minha nova morada, que mencionei anteriormente, é legal, têm gentes legais, apesar de alguns deles terem nascido gaúchos, coitados, mas tenho-os tratado; algumas vezes têm cura. O duro é quando passam aí dos 23, 24, porque nessa fase a coisa envereda por tornar-se irremediável. Depois dos 40 o espírito entra mesmo a inflar-se, saturando os valores mais impudicos. Caso o tipo não tenha passado por determinados aprendizados, como a improbabilidade da vida humana sem o humor, sem o levar a sério, então há grande chance de que, ao passar dos 40, converta-se em alguém bastante incômodo. Coisa que, em casa do autor, tem constituído o atual entrave com seu progenitor.

Tenho divagado, devágádo, devagádoto, devagá-dotô. Divagado, digo-os, sem rédeas. Percebam que boa parte dos meus duzentos e tantos eus teria trucidado o eu poeteiro por um poema concretista, ainda mais no meio de um texto sério e limpinho, mas estão todos eles desatrelados, de modo que também correm soltos. Ai, preciso de ar. Então, estou com vários projetos. Sinto que principio a tomar fôlego para o livro que posso dar à luz em breve. Tenho planos de ir aos Estados Unidos next summer, para servir de mão-de-obra escrava, oh. Tenho planos para abalar as bases lá da faculdade em que estudo. E uns outros tantos que virão à tona no seu devido tempo. Mas agora chega, vou ler um pouco mais, enquanto gotas de chuva se estatelam no chão lá em baixo produzindo um estampido insosso que prenuncia mais uma de suas encarnações é chegada ao fim.

 

__________

* com efeito, o primeiro texto publicado numa lãrrause. beijo.

3 Responses to “post novo”

  1. Lali Says:

    Às vezes, quer dizer… sempre ,lendo teus textos, fico com receio de comentar imaginando sua reação ao ler um comentário de uma amiga que não sabe o quanto tu sabes sobre esse mundo da estrita culta hahahaha, mas sei que tu entendes e não liga (né). Estou aos poucos me aperfeiçoando, lendo livros, algum dia chego lá!

    Tu tens o direito de fazer da tua vida o que quiseres, só não esqueças dos amigos, eles são essenciais em nossas vidas!!!

    Beijo Deco!!!
    =*


  2. Juro que, por coisas assim

    “o firmamento se encrispando com tons de cinza e branco, dando vida a formas diversas, como se o céu fosse o próprio mundo se diluindo nos vales da morte”

    valeu ter esperado por este ´post novo´.

    Concordo com quase ou tudo que você disse; principalmente no que toca a preferir dormir a frequentar as aulas da faculdade. Faculdade é um antro.

    Lolita: você ainda vai ler esse livro umas duzentas vezes.

    Abraço, meu caro.

  3. Lali Says:

    Dael…

    Parabens por mais um ano de vida!!!
    Não vou ficar falando aquelas coisas todas, porque todo mundo fala e tu já deve saber decor, mas… é isso ai velhusco!!!

    Bjão!!


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