acadiano

November 17, 2007

Eu fico escutando Cat Power e pensando Pros diabos!, essa mulher nasceu foi pra isso mesmo! E é isso que as pessoas procuram e apenas em raros momentos encontram: como diria um mestre de auto-ajuda: descobrir para (o) que nasceram. Hoje meu tio estava aqui em casa, peguei o carro dele, que tenho desses prazeres bobos como dirigir anonimamente pela cidade, observando o desenrolar da vida no comando de alguns cavalos treinados. Ele trabalha com isso, o meu tio, com dirigir pelas cidades acompanhando o fluxo de pessoas para cá e para lá.

Houve certa vez que, em morando com meus pais, queria arranjar logo algum trabalho pra fazer e me ver livre das asas parentais, aqueles ímpetos de garotinho amansado para pensar como um bom trabalhador, e conversando com um outro tio sobre isso de arranjar emprego, ofereceu-me ele algo como dirigir por aí, levando pessoas cá e lá a bordo de uma máquina arretada. Meus pais fizeram birra, e a idéia evaporou no ar.

Só que há sempre a chance de que encontremos o quê de nossas vidas em coisas para as quais as pessoas façam birra. Que o quê!, dizem. Mas é de se pensar o quanto pode ser interessante trabalhar com um grande carro que aos poucos vai-se tornando íntimo do condutor, em ignorar solenemente todas as pessoas diferentes cheias de suas histórias para contar e seus ensinamentos para ensinar que puserem as bundas no assento do passageiro. E conhecer garotas para as quais ouvi-las já é o suficiente. E ganhar quilômetros ouvindo Roger Waters, ouvindo Joanna Newson, ouvindo Devendra Banhart. Ouvindo Hurtmold.

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