peça tudo que quiser

November 23, 2007

Quer-me parecer estranho que eu não possa negar o que sou, dado o que sou, e isso pode permanecer assim, dirão alguns; há de sempre estar assim, dirão, com a sua certeza, outros; estando eu sob a bandeira desses últimos. Atravesso uma fase em que não posso contrariar meus olhos quando tudo que eles vêem nas pessoas são moléculas melindrosas fingindo que existe uma entidade chamada Vida da qual são adoráveis proprietárias e não usam-na senão para criar seus cansativos mini-conflitos. Já me foi dado saber que é só mais uma visão, mas deposito os níqueis em que das pessimistas essa está bem à extrema. Lógico, vocês não têm nada a ver com isso (toma um pirulito!), mas é em função disso que se vai embora meu ânimo para escrever, cousa que me vem em períodos definidos da existência.

À custa de algum esforço, eu poderia lançar mão de um texto bem lindo, daqueles que sempre faziam os colegas virem me cumprimentar pelos corredores e as menininhas chegarem mais perto, assustadas ainda, para entabular singelos cortejos. A época, entretanto, é de relaxamento, de descansar a alma e dormir até tarde. Estende-se à frente (parto em três dias) uma viagem de verão à américa, como se diz. Talvez eu até escreva uns posts em inglês de lá, mas é bem provável que não, então não esperem. Mas dizia, apesar dessa preguiça toda, o mal da geração, e do esforço que absorve a atividade, hoje é um dia particularmente agradável e eu quis dar de mim um tostão para este novo blogue que já vai indo.

Converso aqui com vários amigos pelo msn e é sobre essas conversas que divagava há pouco, e agora também, um pouquinho só, porque cansou-me. Há um amigo lá da faculdade que virou gay (e eu tenho certeza que ele nunca vai ler isso aqui, então poderia até chamá-lo de bobo se quisesse mas não farei isso, óbvio, porque sou muito direito) e estava a me contar de uns códigos que se tem tanto cá na Ilha quanto em qualquer outro lugar e eu fiquei bastante grato por ser hetero, se não por gosto – claro que por gosto –, pela dificuldade que seria aprender uma legislação nova para os relacionamentos. Por ordem de aparição, há, em segundo, o senhor deste blogue, que abriu-o apenas pela iminência que o fato concede à premiação a lhe ser entregue por isso. Falávamos da minha irmã – e lá vai uma foto dela pra deixar o blogue bonito:

hermana
toma esse sorriso, coração gelado

Falo ainda com uma senhora que, segundo declara, trato-a mal. Mas vocês sabem que sou tão mal quanto uma vaquinha pacientemente confinada no estábulo; e sobre isso não há mais que ser dito. Last but not least, converso com este companheiro remanescente da antiga escola, com quem revivo nostálgica e alegremente um fotolog que mantínhamos antigamente e que estava aí sedimentado entre as eras da Internet. Vendo a nossa diversão pequena, a nossa implicância inexplicada – e, por isso, mais sensata – contra quem quer que quiséssemos implicar. E toda essa coisa feita de uma maneira ingênua, divertida e espontânea. Até quase fiquei com vontade de soltar aquele chavão do Eu era fel…, mas estou aqui firme, ó, presta atenção.

One Response to “peça tudo que quiser”

  1. Lali Says:

    Por acaso aquela senhora a quem tu se refere sou eu?
    hoaiahoihoaiahoiahaoiahoa
    identifiquei-me
    =p


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