Cheio de coisas dentro da mente, que, rolando de um lado a outro, às vezes se esbarram e resultam num “ah, então é isso”, coisas assim. Tudo advém de que um átomo pode ser previsível, mas opera segundo suas partes, que não o são, o que causa tudo, enfim. Mesmo essa sua orelha mal feita. Ou a reverberação que as pálpebras pesadas desta moça, de que estaria a falar, causam no ar cada vez que se cerram seus olhos. Eu pensava cá que uma uma mulher se conhece pelo beijo como um homem se conhece pelo apertar de mãos. Não importa que um sujeito inspire confiança e caráter; se ao fechar uma conversa ele lhe cumprimentar com uma mão tão frouxa quanto são as rugas de sua velha, boas coisas daí não saem. Um cumprimento frouxo deve aquecer as veias de um cidadão de decência ao passo que lhe gele o olhar para o interlocutor.

O caráter modifica mesmo o físico, posto o quê se denuncia pelo olhar como pelo nariz.

Às vezes você fica away, growing some things up. Tem aquela musiquinha, always look on the bright side of life e vai aquele solinho assoviado, se você preferir assim.

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bring your own bombs

March 20, 2008

E realmente irritante, mas provavelmene nao se pode culpar os Estados Unidos por parir tantos jovens entusiasmados com o u.s.army. Se voce pensar em todos aqueles seus amigos com mais vento que o recomendavel dentro de um cranio, considere por um segundo que sao essas as gentes que ingresam nas forcas armadas – o que, no saldo, e quase a sua vizinhanca inteira. E isso for no good reason, apenas por ser uma das inumeras e estupidas opcoes que se pode fazer quando se e um dos inumeros jovens estupidos no mundo. Quando sua cabeca nao foi alem daquele limite que fosse o normal e o mundo seria mais civilizado. Mas para tanta gente a faixa que define o civilizado e tao dificil de achar que acredito ja nao possa andar de maos com o qualitativo normal.

Nao sou estatistico nem nada para dizer qual a percentagem do governo bush na manutencao da guerra, mas e certeza que esta nas casas das centenas de bilhoes. Se o Brasil, a imagem, desejasse jogar War num tabuleiro de verdade, tipo assim do tamanho do mundo, e, nesse intento, gastasse algum dinheiro em propagandas na teve mostrando o quanto o exercito e cool e que “democracy, we deliver”, a bandalheira provavelmente seria tao grande por la como e por ca, na America. E esses seus amigos mais-ou-menos seriam as pecinhas no cenario.

As influencias, entretanto, talvez ja nao estejam nas pequenas pecas, a dinamica geopolitica agora e outra – nao interessa. Fato e que, seja por uma inclinacao maior a realidade das coisas ou por pura preguica, e uma tal virtude que nao tenhamos essa gana bestinha pelo servir militar; ou assim: seja por inteligencia ou por mera indolencia, causa um certo orgulho que nao facamos no Brasil essa confusao besta entre patriotismo e burrice.

(ou “a maldita coceira no cu”)

e o eduardo comecou a sentir uma coceira no cu. estava ele conversando com os amigos e surgia como que por maldade do acaso uma coceira desgracada no seu cu. o coitado chegava a ver uma estrela cheia de pontas no horizonte, assim por detras do pescoco das pessoas: enquanto elas perguntavam o que ele tinha achado do filme dos velhinhos, a unica coisa em que o eduardo podia pensar era naquela coceira no cu. a mao do eduardo quase que se deslocava sozinha em socorro do cu, mas o eduardo se aguentava, que cocar o cu em publico e feio.

chegou a altura em que nem sentar o eduardo podia mais. sua bunda entrava em contato com um assento e seu cu, cruel, preenchia-se de uma maldita coceira. comecava com picadinhas incisivas mas profundas como as rosetas no pe quando inadvertidamente voce se ve a correr sobre um gramado cheio de espinhos. depois ficava pior, como os buraquinhos dos espinhos que inflamam e causam aquela maldita coceirinha. era assim a coceira do eduardo. a coceira no cu do eduardo.

depois de um tempo, o eduardo foi descobrir que aquela maldita coceira era causada por um bichinho. mas o eduardo nunca conseguia mata-lo porque o bichinho parecia ser mais rapido em todas as vezes que o eduardo tentava meter a mao nele. entao o bichinho continou la, no cu do eduardo, por um bom tempo. muito tempo. provavelmente ate a morte do eduardo. ele ficava comendo o eduardo. o bichinho ficava comendo o cu do eduardo.
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wonderland

December 26, 2007

Kjartan Sveinsson, Sigur Ros, respondeu assim ao Pitchfork quando questionado se a banda ja tinha pensado em escrever musicas em ingles: “I think it’s a bit like lying. If we were to sing in English, it woudn’t be honest,” e se pode tirar umas 31 interpretacoes diferentes do dito; conquanto uma apenas venha a interessar. Uma lingua diferente e uma maneira diferente de se pensar (sobre) a natureza, as borboletas, os trens-fantasmas e a luz dos olhos teus. O drama consiste em que e penoso adaptar seus sentidos a uma lingua que de tao simples da ate um nervoso quando voce deixa escapar algo. Pois e como se no ingles seus ornados pensamentos perdessem todos os galhinhos floridos e virassem debeis ossinhos secos. Mas faco ja uma abertura a justica*: e muito divertido falar em ingles, ler Alice no Pais das Maravilhas em ingles, e apesar de que Meu Deus, aquilo que os australianos falam nao seja ingles, mesmo com eles e interessante conversar, e tem o british accent, que me faz suspirar como uma dama rameira, tudo isso. Ao que consta, existem, inclusive, 14 formas diferentes de se usar a f-word, como a chama Forrest Gump, mas o uso de 5 ja enjoa um monte.

*duas paginas de Chesterton ja trucidam qualquer dos meus argumentos, mas vamos fingir.

peça tudo que quiser

November 23, 2007

Quer-me parecer estranho que eu não possa negar o que sou, dado o que sou, e isso pode permanecer assim, dirão alguns; há de sempre estar assim, dirão, com a sua certeza, outros; estando eu sob a bandeira desses últimos. Atravesso uma fase em que não posso contrariar meus olhos quando tudo que eles vêem nas pessoas são moléculas melindrosas fingindo que existe uma entidade chamada Vida da qual são adoráveis proprietárias e não usam-na senão para criar seus cansativos mini-conflitos. Já me foi dado saber que é só mais uma visão, mas deposito os níqueis em que das pessimistas essa está bem à extrema. Lógico, vocês não têm nada a ver com isso (toma um pirulito!), mas é em função disso que se vai embora meu ânimo para escrever, cousa que me vem em períodos definidos da existência.

À custa de algum esforço, eu poderia lançar mão de um texto bem lindo, daqueles que sempre faziam os colegas virem me cumprimentar pelos corredores e as menininhas chegarem mais perto, assustadas ainda, para entabular singelos cortejos. A época, entretanto, é de relaxamento, de descansar a alma e dormir até tarde. Estende-se à frente (parto em três dias) uma viagem de verão à américa, como se diz. Talvez eu até escreva uns posts em inglês de lá, mas é bem provável que não, então não esperem. Mas dizia, apesar dessa preguiça toda, o mal da geração, e do esforço que absorve a atividade, hoje é um dia particularmente agradável e eu quis dar de mim um tostão para este novo blogue que já vai indo.

Converso aqui com vários amigos pelo msn e é sobre essas conversas que divagava há pouco, e agora também, um pouquinho só, porque cansou-me. Há um amigo lá da faculdade que virou gay (e eu tenho certeza que ele nunca vai ler isso aqui, então poderia até chamá-lo de bobo se quisesse mas não farei isso, óbvio, porque sou muito direito) e estava a me contar de uns códigos que se tem tanto cá na Ilha quanto em qualquer outro lugar e eu fiquei bastante grato por ser hetero, se não por gosto – claro que por gosto –, pela dificuldade que seria aprender uma legislação nova para os relacionamentos. Por ordem de aparição, há, em segundo, o senhor deste blogue, que abriu-o apenas pela iminência que o fato concede à premiação a lhe ser entregue por isso. Falávamos da minha irmã – e lá vai uma foto dela pra deixar o blogue bonito:

hermana
toma esse sorriso, coração gelado

Falo ainda com uma senhora que, segundo declara, trato-a mal. Mas vocês sabem que sou tão mal quanto uma vaquinha pacientemente confinada no estábulo; e sobre isso não há mais que ser dito. Last but not least, converso com este companheiro remanescente da antiga escola, com quem revivo nostálgica e alegremente um fotolog que mantínhamos antigamente e que estava aí sedimentado entre as eras da Internet. Vendo a nossa diversão pequena, a nossa implicância inexplicada – e, por isso, mais sensata – contra quem quer que quiséssemos implicar. E toda essa coisa feita de uma maneira ingênua, divertida e espontânea. Até quase fiquei com vontade de soltar aquele chavão do Eu era fel…, mas estou aqui firme, ó, presta atenção.

olá, ó lá

November 14, 2007

Aos que já tiveram a felicidade de me conhecer, deixo aqui formais cumprimentos, só pra simularmos que existem correntes e seitas entre os blogueiros e possam assim criar-se o tanto de boatos que dão sentido à vida. Aos que permanecem nas trevas, antecipo que não me vou apresentar. Mas serei generoso explicando: de mim, bastam-lhes as palavras.

Outro dia até, estava numa rodinha na ufsc conversando sobre sei-lá-quê e quando me perguntaram a opinião sobre uma certa coisa respondi que Eu estudo pra não precisar subir tijolo na vida, aí esse tipo de estudante que fico tentado a chamar esquerdinha burguesa de pensamento levemente acanhado mas não chamo porque não vale que se opine sobre isso já parte logo pra cima fazendo coro de Uuuuu! Que isso! e começam a apontar pra você – na referida situação, pra mim – dizendo Isso é muito feio! Porque eu não me importaria em empilhar tijolo pra viver! Tás atirando a moral dos pedreiros aonde? Pedreiro não tem dignidade?, e você tem que ouvir isso caladinho que é o preço que paga por estar desatento às palavras que usa perto de certas hipocrisias ignorantes de si mesmas. E eu nem vou perder tempo explanando o que seja tal hipocrisia, tendo certeza de que já fui demasiado claro para a gente que entende o que quero dizer.

Eis o que importa: se você imaginou estar ilustrado no parágrafo acima, pode, por gentileza, ir falar àquele senhor de terno cinza que deverá lhe encaminhar o caminho da porta da rua? Muito grato, sim?

Olá. (: